O Slayer realmente é uma banda diferenciada. Conseguiu se manter em evidência apesar dos largos espaços de tempo entre seus trabalhos de estúdio, resistiu ao declínio da música pesada nos anos 90 e permaneceu como um desses raros artistas de rock com reputação de integridade.
Com certeza, não foi um caminho dos mais fáceis. No entanto, a banda acertou ao recusar as desculpas esfarrapadas de "atualizar" sua música e sabiamente evitou o caminho da experimentação pura e da autoironia que quase levaram o Thrash Metal ao ostracismo. O último trabalho da banda, World Painted Blood, a sair em novembro, é fiel a proposta que caracteriza toda a carreira do Slayer: a de fazer música pura, intensa e explosiva. E apesar de alguns riffs trazerem timbres e acordes um tanto anômalos para os padrões da banda, o que encontramos é o mesmo Slayer visceral de sempre.
A faixa título abre caminho com riffs cavalgados no melhor estilo Bay Area e um refrão feito para ser cantando com punhos no ar. Lembra um pouco o clima de Seasons In The Abyss, com elementos de Heavy Metal tradicional e com algumas mudanças de andamento a mais do que costumam gravar.
Unit 731 me lembrou determinadas faixas de Divine Intervation. Veloz e pesada, vai fazer brotar muita roda de mosh se tocada ao vivo. A seguinte, Snuff, também é curta, pesada e veloz, mas nem poderia ser de outra forma, afinal é o Slayer. É praticamente um convite ao mosh, com suas quebradas de ritmo. E tem algo de crossover também. A letra fala sobre a lenda urbana dos Snuff Movies. Bem legal.
Beauty Through Order é lenta e arrastada, parece saída de South of Heaven, até ganhar pique.
Hate WorldWide foi um dos singles e tem algo de Metalcore, bem ao gosto do público americano.
Public Display of Dismemberment parece saída de Seasons também. O album inteiro tem algo de nostálgico, com todas as faixas remetendo muito a Seasons In The Abyss, South of Heaven e Divine Intervation, justamente aqueles compostos no período que resultou na saída de Dave Lombardo e com a entrada de Paul Bostaph.
Human Stran é outra com levada Metalcore, que parece saída de South Of Heaven, que vira um quase-doom, p/ ganhar velocidade no final. Diferente.
Psychopatty Red é rápida e certeira. Uma das minhas favoritas.
Play With Dolls é diferente. Começa lenta, evolui p/ uma rifferada infernal e termina nela. Gostei.
Not Of This God fecha com chave de ouro o disco. Cavalgada e feroz.
E é isso. O Slayer fez o de sempre: se reinventou, mas sem os males daquelas bandas que lançaram discos cheios de boas idéias, mas sem nenhuma coesão. Um dos discos do Ano.
